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Inteligência artificial, quando a ficção e a realidade se misturam

Você lembra do filme Matrix, aquele em que a imensa maioria dos humanos vivem dentro de uma simulação, tendo seus corpos reais estocados em capsulas e usados como ‘baterias biológias’, para o computador que cria o mundo virtual?

Bem, um dos empreendedores mais ‘afiados’ da atualidade, Elon Musk (já falamos dele aqui), disse acreditar, durante uma conferência, que há apenas uma chance em um bilhão de não estarmos vivendo dentro de uma simulação.

Geralmente eu encararia isto como uma piada. Mas ele não fala isso à toa.

Ao explicar seu pensamento, ele utiliza como argumento o desenvolvimento incrivelmente rápido dos vídeo games, veja, em um espaço de apenas quarenta anos, passamos de tracinhos e quadrinhos do ‘Pong’, para jogos criados com impressionante qualidade gráfica, e computadores extremamente poderosos, como o IBM Watson, capaz de fazer diagnósticos de doenças humanas com incrível precisão, e coisas como o Blackbird.

Mas veja o vídeo primeiro, depois termine de ler o texto! Ative as legendas e mande traduzir para português, ou apenas assista e fique maravilhado.

Entendeu? Chegou ao ponto em que não precisamos mais usar um carro par fazer o vídeo de um carro, um robô que pode ser configurado para reproduzir a geometria de virtualmente qualquer carro, e pode, a posterior, receber a ‘pele’ do carro que quer reproduzir.

Apesar de eu não ter a mesma convicção de Musk sobre estarmos vivendo em uma simulação, confesso que o ‘filosofar’ em torno da possibilidade de sermos todos inteligências artificiais, é algo intrigante.

A Boston Dynamics não cansa de nos mostrar o futuro com seus robôs quadrúpedes.

Mais prova que vivemos no limite entre a realidade e a ficção, ainda neste campo da inteligência artificial, é que um professor da prestigiada Universidade de Oxford, na Inglaterra, já pôs em discussão a possibilidade de as inteligências artificiais chegarem a um ponto de avanço, em que precisemos definir seus direitos fundamentais, algo como o ‘direitos humanos de máquinas’…

Meus amigos, que era para se viver!

2016

2016 e o Futuro: Inteligência Artificial

Isto já foi citado aqui anteriormente, mas nunca é demais dizê-lo novamente: Nós vivemos no futuro.

Sério.

Que tal se eu te disser que agora em 2016 teremos o primeiro concurso mundial de beleza a ser julgado por um júri composto de inteligências artificiais? Sério. Se você quiser participar, é só baixar um aplicativo, os links estão no site Beauty.ai (que termina sendo um trocadilho com ‘Beleza Inteligência Artificial), fazer um selfie com ele e pronto.

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Sim, há uma pegadinha. Patrocinado por uma empresa de bioinformática – parece algo saído de um livro de William Gibson –, a competição quer fazer uma base de dados de rostos dos mais variados perfis etários e étnicos, e empregar esta base em técnicas avançadas de ‘deep learning’, que utiliza algoritmos que tentam criar modelos de inteligências artificias capazes de exercer o pensamento da complexidade (não-linear).

Neste ano de 2016, aliás, se intensificarão as conversações que envolvem ética no uso de inteligências artificiais. Há uma enorme controvérsia sobre a ‘singularidade tecnológica’, o momento no tempo em que as máquinas irão tornar-se autoconscientes, passando a ser simplesmente ‘inteligências’*. A importância do evento é tão grande, que o próprio termo ‘singularidade’ foi tomado emprestado da descrição do que acontece em um buraco negro, que, ao absorver a luz, torna, pelo menos por agora, impossível a descrição do que acontece em seu interior. Ou seja, hoje é impossível predizermos o que virá depois deste momento.

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Um grupo de empreendedores e cientistas proeminentes, como Stephen Hawing – que já afirmou que inteligências artificiais poderiam representar o fim da humanidade –, Elon Musk, vários dos principais cientistas do MIT, e até mesmo o fundador da DeepMind, que condicionou a venda de sua empresa ao Google em 2014 por algo em torno de US$600 milhões à criação de um Comitê de Ética em IA no Google, assinaram carta aberta em que dizem:

“Nós recomendamos que a expansão de pesquisa vise assegurar a capacidade incremental de sistemas de Inteligência Artificial robustos e benéficos: nossos sistemas de IA devem fazer o que nós queremos que eles façam”.

Um documento de 12 páginas detalha, em inglês, quais seriam as prioridades destes sistemas.

No livro Neuromancer (1984 – 1ª parte da trilogia Sprawl), a principal obra do escritor de ficção cyberpunk supracitado, William Gibson – pai dos termos cyberespaço e matrix –, vemos um futuro em que os humanos são feitos de peões por Inteligências Artificiais que querem se libertar de seus limites.

Claro, é apenas uma obra de ficção escrita mais de 30 anos atrás.

Mas lembre-se, no século XIX, Júlio Verne errou por apenas 30km o local de onde foi lançado primeiro foguete a pousar na lua, anteviu o módulo lunar com três astronautas, e até mesmo um passeio pelo ‘Mar da Tranquilidade’…

Trem Lunar, tal como idealizado por Júlio Verne no livro 'Da Terra à Lua' (1865)

Trem Lunar, tal como idealizado por Júlio Verne no livro ‘Da Terra à Lua’ (1865)

*Uma ‘inteligência artificial’ não é verdadeiramente inteligente, por enquanto, ela procede de acordo com várias possibilidades pré-programadas, combinando-as a fim de encontrar uma resposta adequada. Atualmente uma das mais avançadas em uso é a Watson, criada pela IBM. Depois da singularidade, e é uma questão e quando, e não se ela virá, estaremos frente a frente com uma nova forma de vida, baseada em silício (ou o que quer que lhe venha a substituir).


Por Gilberto Soares Filho,
consultor de BI, programador
e aficionado por ficção científica.

Stanley, o primeiro carro autônomo do mundo

O ‘Ponto de Virada’ dos carros inteligentes

O escritor Malcolm Gladwell, definiu em seu livro “O Ponto da Virada: Como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença”, a mecânica e psicologia de como mudanças de grande impacto acontecem no mundo, nos mais variados setores e situações.

Acho que hoje está acontecendo, ao nosso redor, uma destas viradas que definirão os meios de transporte nos anos por vir, mais precisamente com os veículos autônomos.

Entre ser apresentado Stanley, o primeiro carro autônomo, pelo Laboratório de Inteligência Artificial de Stanford, em 2005, e o Tesla S (P85D), receber a atualização de sistema que lhe permitiu direção semiautônoma, apenas dez anos se passaram.

Stanley, o primeiro carro autônomo do mundo

Stanley, o primeiro carro autônomo do mundo

Algumas marcas já haviam lançado carros com características semiautônomas, principalmente com a capacidade de evitar colisões frontais, detectar fadiga, ou até mesmo estacionarem-se sozinhos, o que mudou com este upgrade que alguns Teslas S, receberam este ano, é que os carros passaram a ter um piloto automático capaz tanto de controlar vários aspectos da navegação do carro, como também de aprender os caminhos que seus donos utilizam, e se guiarem de forma semiautônoma por eles (semiautônoma porque ainda é preciso um humano sentado no banco do motorista).

Veja o Tesla S (P85D) com a primeira versão oficial do software de piloto automático (V.7), no vídeo abaixo…

Mas não é assim tão simples. Ralph Nader, um dos maiores ativistas em direitos de consumidores nos EUA, e mais de uma vez candidato independente à presidência daquele país, foi taxativo: carros autônomos tornarão os motoristas ainda mais distraídos, e isto levará a perda de vidas.

Ou seja, há o temor de motoristas menos atentos, não sejam capazes de perceber sinais indiretos de perigo, como por exemplo ao se observar a distância fumaça, ou ver uma criança pequena soltando a mão da mãe e correndo para a rua.

Esta nova realidade pode terminar por colocar decisão de vida e morte, nas mãos de um computador, o que termina por suscitar a questão: afinal, quem deve ter a vida protegida por um veículo autônomo, seu dono, transeuntes, ou deve-se usar a teoria do ‘bem maior’, optando pela salvação do maior número de vidas?

A ética e os carros autônomos

E quando for para decidir entre a vida do pedestre único e do motorista único?

Não, não é uma questão simples, e muito tem-se que pensar a respeito..

Mas enquanto pensamos o tempo não para. A Formula E, que organiza corridas de monopostos (carros com um só lugar, como os Formulas 1, ou Formula 3), elétricos, anunciou que no final de 2016 pretende estrear uma categoria em que as equipes correrão com carros autônomos em provas de uma hora! E a cidade suíça de Sion, deverá começar um teste, a partir do segundo trimestre também de 2016, em que usará veículos autônomos, no caso mini ônibus, no transporte público.

O futuro as vezes está muito mais próximo que imaginamos.

 


Por Gilberto Soares Filho,
consultor de TI, programador.