Esta é a tela de um dos 'ramsonwares' que em circulação atualmente

O risco crescente de extorsão na internet

Dando prosseguimento ao assunto de Segurança Pessoal na internet, hoje vou lhes falar de um risco que está em franco crescimento, o da extorsão online.

Este tipo de prática tem por ponto principal de entrada, a ‘Engenharia Social’, e por objetivo fazer algo que possa lhe prejudicar pessoalmente, para em seguida demandar um pagamento.

Os ramsonwares, que estouraram recentemente, são um excelente exemplo, vou ilustrar com uma história fictícia.

Marta, uma advogada, recebeu um email que alegava ser do fórum da cidade em que atuava, com a indicação de um programa pago que lhe permitiria acessar os processos em que estivesse envolvida com mais facilidade, mas, se ela baixasse o programa a partir do link que estava no email, ela ganharia o programa, só precisaria para isto identificar-se.

Ela clicou no link, preencheu os dados em um formulário, baixou o arquivo, o executou e nada aconteceu. Imaginando que fosse um problema com o arquivo que ela havia baixado, ela fez um novo download, e novamente tornou a executar o programa. Tal como da primeira vez, nada aconteceu. Ela resolveu deixar para lá, da próxima vez que fosse no fórum, ela procuraria o CPD para pedir ajuda. Terminou o dia, ela desligou o computador, e foi para casa.

Na manhã seguinte, chegando ao escritório ligou o micro, e depois que o Windows iniciou viu a mensagem abaixo.

Esta é a tela de um dos 'ramsonwares' que em circulação atualmente

Esta é a tela de um dos ‘ramsonwares’ que em circulação atualmente

Ela foi vítima de um ‘ramsonware’, o programa para acesso aos dados do fórum que aparentemente não havia funcionado, na realidade era um malware que ficou funcionando em segundo plano e criptografou os dados importantes do disco, no caso tudo que fica nas pastas de documentos, e exigia que um pagamento fosse feito em X horas (geralmente 60), caso o tempo expirasse, tudo seria perdido.

Nós temos a tendência a compartilhar o que fazemos, por onde andamos e com quem andamos em nossas redes sociais. São os check-ins no Foursquare/Swarm e Facebook, postagens com ‘geotag’ no Instagram, Snapchats em que as vezes falamos um pouco mais de nossas vidas. Um ‘engenheiro social’ é um golpista, e, aplicando um pouco de método às informações que entregamos de mãos beijadas, ele pode criar uma narrativa que possa faz sentido à vítima.

Foi exatamente o que aconteceu com a fictícia Marta no exemplo dado. Ela, como você ou eu, podemos virar alvos de alguém que use ‘engenharia social’ para atingir suas vítimas. Alguém que sabia que ela era advogada, enviou o email muito provavelmente utilizando um linguajar e jargões que se utilizam em um fórum, com o objetivo específico de enganá-la e posteriormente extorqui-la.

Seguem algumas dicas que podem tornar sua vida digital um pouco mais segura:

  • Evite fazer check-ins ao chegar nos locais usando Foursquare/Swarm, Facebook ou Instagram, em vez disso, compartilhe com os amigos que lhe interessam sua localização pelo Whatsapp.
  • Quer tirar fotos? Tire. Quer publicá-las? Faça-o, mas desative a geolocalização. Mesmo que você cite o local no comentário da foto, ao não publicar a geolocalização, apenas as pessoas que realmente leram o que você escreveu na foto, saberão onde você está. Golpistas são inteligentes, mas também são preguiçosos.
  • Você gosta de ser prefeito no Foursquare/Swarm? Faça check-in ao sair do local 😉
  • Principalmente no Facebook, não aceite solicitações de amizades de pessoas com quem você já não tenha algum grau de interação. Habilite a possibilidade de ser ‘seguido’, e quando for publicar algo mais pessoal, limite aos ‘seus amigos’.

Tecnologias são maravilhosas, redes sociais são fantásticas, vivemos em um tempo em que atingimos um nível inédito de interação. Podemos falar com qualquer um a praticamente qualquer momento, quase sem nenhuma limitação, e justamente por estas limitações serem tão escassas, precisamos nós mesmos ser mais atentos.

roubar-senha

Princípios gerais para segurança pessoal na internet

Nota: Este post faz referência à plataforma Windows, que, por ser a mais popular, é a mais visada pelas gangues que produzem malwares.

Beira o impossível falar sobre os princípios básicos de segurança na internet, sem recorrer a clichês, dentre eles, o maior e mais verdadeiro é o que diz que “um corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos”. A lógica é simples, a partir do momento em que UM computador da rede, ou um usuário que a ela tenha acesso, TODA a rede está potencialmente comprometida.

Pode parecer exagero, mas não é. Quando mais de 100 terabytes de dados foram roubados da Sony Pictures em 2014, tudo começou com o grupo invasor se apoderando da credencial de UM funcionário da empresa. Uma vez com acesso à rede, eles plantaram um malware do tipo ‘worm’ que foi capaz de auto replicar em várias máquinas, capturar dados, e aqui estamos falando desde filmes e e-mails, até dados sigilosos como contratos e fichas médicas dos funcionários da empresa, e depois os enviar aos hackers (a Wikileaks publicou os arquivos).

"Qualquer corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco"

“Qualquer corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco”

Mas antes de lhe dizer como se proteger, preciso que você entenda que há mais de um tipo de forma de contaminação:

  1. Worms – são programas que se auto propagam por redes (internas ou externas – internet), em busca de computadores que tenham falhas de segurança em programas ou sistemas operacionais.
  2. Trojans (Cavalos de Tróia)– são programas que vêm embutidos em outros maiores, por exemplo, você ‘baixa’ um programa pirata de editoração de imagens, dentro dos vários arquivos que o compõem, pode haver UM – é tudo que precisa –, que ficará latente em seu computador, e pode levar qualquer tipo de malware.
  3. Mídias infectadas – CDs, DVDs, disquetes, pendrives e discos USB, podem levar consigo um arquivo de auto execução, que é ativo no momento em que eles são conectados ao micro.
    Engenharia cosial – esta é a forma mais avançada de infecção, aqui, a pessoa mal intencionada tentará fazer com que o usuário instale, ela própria, um malware em seu computador.

A grande maioria destas ameaças, podem ser facilmente evitadas com o uso de um bom software de segurança, eu uso e recomendo o Kaspersky Intenet Security, que funciona como antivírus e firewall, ou seja, ele é capaz de analisar tanto os programas que você tenta fazer funcionar no seu computador, quanto o tráfego de internet que está havendo.

No caso destes, ou de QUALQUER outro sistema de segurança, é essencial que você tenha o que se costuma chamar ‘pacotes de definições’, SEMPRE ATUALIZADO. Entenda, a segurança é sempre um jogo de ‘gato e rato’, os bandidos estão sempre criando novas formas de infectar usuários, e os produtores de antivírus e firewall precisam estar sempre atualizando seus softwares para que eles possam reconhecer os padrões maliciosos, e isto é feito através destes ‘pacotes de definições’.

MESMO com o antivírus e firewall sempre atualizado, entretanto, você precisa ficar atento aos seguintes comportamentos:

  1. Nunca baixar e instalar programas piratas;
  2. Nunca abrir arquivos Office de fonte desconhecida, e sem confirmação de envio;
  3. Nunca executar programas que receber por e-mail, sem confirmação;
  4. Nunca autorizar a instalação de algo, a partir de um pop-up em site, se você não tiver certeza absoluta de ser necessário;
  5. Nunca informe sua senha a ninguém, nem por voz, nem por email;
  6. Nunca deixa alguém que você não conheça acessar seu micro;
  7. E nunca, jamais, em hipótese alguma, compartilhar sua senha ou utilizar senhas fracas. Já demos algumas dicas sobre senhas aqui.

roubar-senha

Usar antivírus e firewall é chato? Sim, claro que é. Estes sistemas criam uma ‘máquina virtual’ dentro de seu sistema que executa os arquivos de uma forma extremamente controlada para analisar a possibilidade de risco, da mesma forma, ele montará e lerá os dados que estão entrando no seu micro, em busca de padrões que representem risco.

Mas vale a pena. Acredite, a chatice de usar da forma aqueda um sistema de proteção, é mil vezes menor que de ver seus arquivos de trabalho, ou pessoais, destruídos.


Por Gilberto Soares Filho,
consultor de TI e BI, programador
e aficionado por segurança online